sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Nossos, não tão nossos, probleminhas.



"Coisa bonita na vida é isso, abraçar um problema que não é teu. " (Vanessa leonardi)

Nem sempre é fácil assim. Já passei por várias situações que me envolvi de tamanha intensidade em um problema de amigas ou namorados que me perdi no meio deles jurando de pé junto que era meu também. É extremamente doloroso ver e ouvir alguém que amamos tanto e temos tanta compaixão, sofrendo de forma tão imensa e nos sentirmos inúteis em razão aquele sofrimento, que as vezes nos perdemos no meio do nosso bom senso e resolvemos "tomar as dores" do outro, o que, sinceramente, é a maior tolice que alguém pode fazer. Com toda nossa prepotência, resolvemos cuidar, mimar, tentamos encontrar soluções as vezes inexistentes, brigamos com quem nunca nos fez mal para defender o outro, passamos por cima de situações que jamais deveriam ser passadas, ignoramos grosserias, estupidez e ignorância com a desculpa sempre tola de que compreendemos o estado em que aquela pessoa se encontra, quando na maioria das vezes, ela precisa é de um chacoalhão mesmo pra acordar e tomar frente da situação. Sempre com a nossa necessidade de agradar, de tirar um sorriso do rosto de alguém, passamos dias conversando, decifrando enigmas, fazendo brincadeiras com o intuito de alegrar o outro, relevando as atitudes não necessárias, sorrindo forçadamente fingindo que tudo corre bem, tentando fugir da nossa dor para que o outro não tenha mais um motivo para sofrer. Mas fugir da dor é fácil, difícil é enganar o sofrimento interno. E aí, quando você menos espera, depois de semanas, meses e até anos tentando com todas as suas forças físicas e psicológicas solucionar um problema que não é seu, tentando levantar alguém que não é você e por isso se afundando cada vez mais nos SEUS problemas, você cai em si e percebe que agora é a sua vez de ser ajudado, mas quando essa percepção chega, quase nunca o "outro" vai estar ali pra te oferecer a mesma ajuda que você ofereceu a ele com tanta devoção, na maioria das vezes você vai ouvir grosserias, desculpas esfarrapadas, como "não estou bem para falar no momento, não quero conversar agora, tô cansado, passando por muitas coisas difíceis, não vou poder te ajudar. " e você se sente sozinho, desamparado, perdido, e aquela grande ajuda que você se desdobrou para dar, aquela grande amiga que você foi, aquela grande parceira, simplismente não existiu, e vem a pior parte. Dor, raiva, decepção, mágoa, sentimento de inutilidade de novo, de que você foi uma tola, uma boba, que dedicou todo o seu tempo para aquele grande amigo, aquele parceiro, e não teve resposta nenhuma, quando você mais precisou ele não estava ali como você esteve. E aí a gente pensa, devo dar sem querer receber, certo? aprendi isso desde pequena, quem dera fosse tão fácil como digitar essa frase, queremos ser amados, amparados, cuidados.. Nunca recebemos da forma que desejávamos, mas com um pouco de esforço, um pouco não, muito esforço, conseguimos gostar do que encontramos e esquecer o que queríamos achar. A vida é possível mesmo em momentos de dor, ela está sempre aí.