Eu fui eu mesma. Fui coração, fui razão, fui carinho, fui cuidado, fui paixão. Mesmo com os medos, as travas, os receios, eu fui eu mesma. Controlando minha intensidade, mesmo gostando muito de sentir muito. Controlando minhas ansiedades, de querer que desse certo. Eu fui eu mesma. Me joguei, me preocupei, me atentei a cada ponto em que eu podia me expor, me colocar, me mostrar. Me mostrei quando cuidei, me mostrei quando percebi qual a sua cerveja preferida, me mostrei quando simplesmente quis estar com você. Me sentia leve por ser eu mesma, me sentia eu, sem nenhum problema em ser. Até o dia em que percebi, que apenas ser eu mesma não te bastava mais. Eu ser, não bastava mais para a nossa relação continuar. E não tinha um porquê, não existia um motivo. Eu não havia feito algo que te fizesse não querer mais, na verdade você queria, mas não sabia como sair da relação leve em que estávamos sem que ela virasse algo pesado para você. Você não conseguia querer ter, querer ser, querer ficar. Você me queria, mas me queria do seu jeito. Metade, e não completa. Metade eu nunca consegui ser. Sempre fui inteira, sempre me doei sem receios, sempre me mostrei do avesso, mesmo com os percalços sofridos por ser assim, eu nunca deixei de ser inteira. Estar com alguém que queria apenas a minha metade, era me diminuir para me caber em alguém, e isso eu não me permitia. Doeu te ver afastando, te ver fugindo de uma relação completa. Doeu te ouvir dizendo que não estava preparado para promessas. Doeu ouvir você se fechando, se negando a amar. Mas doeu mais ainda sentir que o certo a se fazer era continuar sendo inteira para mim mesma, me doar para mim, ser carinho, preocupação, amor e paixão apenas para mim. Permaneceria inteira, sem você, mas inteira. De metades eu não vivo, sinto muito, permanecerei sentindo muito.
