sábado, 8 de dezembro de 2007

É dando que se recebe.

Você tem para oferecer aquilo que busca em alguém?Você diz que quer companheirismo, mas sabe ser companheira? Ou tá mais pra megaindividualista?Você busca ansiosamente por uma relação tranqüila, mas vive tensa e estressada?Você quer alguém alto-astral, mas só vive reclamando de tudo, impaciente e irritadiça com Deus e o mundo?Você quer amor, mas será que tem amor aí pra dar?Esqueça: ninguém vai salvá-la de si mesma. A gente tende a atrair iguais, gente que tá com a mesma energia e na mesma vibe que a gente. Relacionar-se é troca, compartilhar coisas em comum, e não sugar do outro aquilo que a gente não tem. Se quer tranqüilidade, vá fazer ioga, ler, plantar uma árvore, nadar, dançar ballet. Uma vez atingida a tranqüilidade, achar um cara tranqüilo vai ser conseqüência natural. Fácil. E não há sensação melhor do que estar verdadeiramente tranqüila, não porque saiu com alguém na noite anterior ou porque a mamãe te deu colinho, mas porque você conquistou sozinha a tal tranqüilidade. Andar sozinha na rua, não se sentindo só, mas livre. Estar na balada, se divertindo com o som, sem colocar a expectativa da noite ser boa no olhar do outro - que não te olha. Se você quer tranqüilidade, mas fuma, bebe, não tem paciência pra ler um livro, vive saindo de casa atrasada e já começa o dia na correria – vamo combinar que não vai achar a tranqüilidade que diz tanto almejar, e muito menos um cara tranqüilo vai suportar estar perto de você. Se quer alguém que te compreenda, te ajude, te valorize, comece a compreender as outras pessoas, pare de criticar o próximo, valorize palavras e atitudes, ajude o próximo, também será mais fácil de encontrar alguém assim. Se quer companheirismo, vá fazer trabalho voluntário, ouvir os casos felizes E TRISTES de suas amigas (mais do que falar só dos seus,que é o meu caso), acompanhar sua amiga nos lugares que ela precisa ir e não quer ir sozinha, por mais que você não esteja com muita vontade de ir. Parece idiota, do tipo, "é dando que se recebe", mas eu juro que dá certo. Tenta fazer esse exercício - que no começo pode ser um pé no saco - mas depois você vai se orgulhar de si mesma por estar conseguindo e, melhor, gostando! Mesmo que seja pelo legítimo interesse de sentir-se mais querida.Se ainda não tá nesse pique, se a sua praia ainda não é essa, se não tá a fim de fazer o sacrifício, não exija que a vida te dê o que você não está buscando de verdade. Eu sei que não é fácil. A gente ficou acostumada a receber tudo de fora e não trabalhar nada de dentro. Meu pai me conta que, antigamente, as crianças construíam seus próprios brinquedos e inventavam as brincadeiras. Pipa, carrinho de rolemã, bola de meia, boneca de meia... Hoje, a gente compra jogos prontos, não precisa inventar. Vamos pros atuais: além de ter os jogos prontos, ainda tem aqueles que não requerem nem que a gente se levante da cadeira (leia-se playstation). E, se um brinquedo estraga, não tem mais essa de "pai, concerta pra mim?" O pai vai lá e compra outro. Quando a gente cresce, se o nosso cabelo tá fraco e opaco, a gente prefere pagar pra fazer uma hidratação do que passar a se alimentar direito. Se a gente tá com uma espinha na cara, a gente prefere passar aquela base power pra disfarçar do que parar de comer chocolate. E se a gente tá gordinha, prefere fazer uma lipo do que passar a freqüentar a academia diariamente. Ou seja: a solução que a gente busca é de fora pra dentro – ainda que seja a mais cara financeiramente e a menos duradoura. É lei do menor esforço mesmo. Afinal, o que importa é o resultado aos olhos dos outros, certo? Se foi você que fez ou pagou pra alguém fazer, ninguém vai saber. Mas lamento lhe informar que essa não é a lei que rege as relações humanas porque, neste caso, o que a gente sente vale mais do que o que os outros vêem.

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