Porque términos são tão difíceis? pesados, dolorosos, desgastantes, na maioria das vezes seguidos de mudanças boas ou ruins, mudanças que mechem com a estrutura do indivíduo, mudanças que mechem com os planos, todo um futuro pensado e repensado, mudanças..
Quando um relacionamento termina, seja o rompimento de uma amizade ou de um namoro, novas portas se abrem para novas experiências, novas sensações, novos sentimentos, novas idéias, novas rotinas, novos sonhos, novos planos.. Planos individuais, planos seus, planos e sonhos que não remetem a mais ninguém, somente a você e as ideias mirabolantes que surgem na nossa mente neste momento.
Um relacionamento amoroso, quando termina definitivamente por ambas as partes é sofrido, machuca, destrói, desconstrói. No momento do rompimento fica-se perdido, sem norte, sem direção, pensando no que fazer, no que não se pode fazer mais, tantas dúvidas aparecerem, tantos sonhos desconstruídos, tantos TANTOS!
Os dias começam a se passar, e passamos pelo sentimento de luto, de solidão, de desconstrução, de recomeçar. Recomeçar a vida, recomeçar as idéias, recomeçar a rotina, recomeçar os sonhos. Passamos pela dúvida: "isso é o certo?" e responder essa pergunta dói, atormenta, incomoda. Responder se um rompimento é o correto muitas vezes não surge a resposta que esperávamos encontrar. Sentir saudades, sentir falta, sentir anseio de encontrar, de conversar, e ao mesmo tempo medo de encontrar, de conversar, medo do desconhecido, da indiferença, medo das memórias boas, medo de nenhuma memória boa restar.. São tantas dúvidas que nos assombram durante dias, meses, e elas só servem pra isso, pra assombrar.
Quando se tem um término com mágoas, nos deparamos com a raiva, o ódio, o rancor, o desejo de que a pessoa sofra, de que ela sinta falta, corra atrás, negamos o luto, pela raiva que se prevalece. A mágoa consegue ser mais dolorosa do que a saudade, a saudade boa nos tranquiliza, de que fizemos todo o possível para dar certo, e se houve o rompimento significa que durante um tempo, deu certo, deu muito certo, mas não dava mais.
Não dava mais pela rotina cansativa, chata, sem graça, sem cor.. Não dava mais pela ausência de afeto, de carinho, de atenção, de companheirismo.. Não dava mais pela ausência de tesão, pela ausência de compaixão e paixão, pela ausência de saudade, pela ausência de um futuro, só dava ainda pela amizade, pela história, pelos planos, mas não dava mais.
A mágoa não nos deixa ver nada disso, nos cega, vira lágrimas, gastrite, enxaqueca e outras tantas coisas. A mágoa nos paralisa, nos impossibilita de seguir em frente, de encontrar novas possibilidades, de tentar entender, de pensar racionalmente, de perceber o que te fazia e o que não te fazia bem. A mágoa mata, aos poucos, mas mata.
A partir do momento que passamos pelo luto, e começamos a pensar racionalmente as coisas vão se ajeitando.. O luto pelo afastamento, o luto pelo passado, por um futuro que não existe mais.. Um luto pelas coisas em comum, um luto por tantas histórias boas vividas em parceria, um luto por momentos inesquecíveis, um luto por um amor que se foi, e não volta.. não, não volta, pois não se tem tempo entre um término, acabou, e para que o luto passe, é necessário aceitar, acabou.
Porque não dava mais certo? O que aconteceu? Onde erramos? Onde nos perdemos? Será que era ele mesmo que eu queria pro meu futuro? Será que eu daria conta de sustentar um relacionamento com tantas crises e defeitos? Eu gostaria mesmo de me casar com esse homem? Esses defeitos, eu aguentaria? Precisamos responder estas perguntas, é necessário entender, para se deixar ir. Eu era feliz? Eu seria feliz? e a melhor pergunta: EU ESTOU FELIZ? E quando percebemos que em pouco tempo crescemos mais sozinhos do que anos ao lado desse outro, percebemos a ausência do EU posso, EU quero, Eu não gosto, EU preciso, EU. Tomar rédeas da sua vida, e fazer suas escolhas, realizar sonhos, tomar decisões apenas com o seu EU, te faz perceber do que você realmente precisava.. e o relacionamento te proporcionava isto? te fazia ser uma pessoa melhor? dependendo da resposta, o processo após o luto vem com força total, e crescemos, crescemos, e crescemos, com cada decepção, cada "não dá mais", com cada "acabou", crescemos.
A saudade bate, mas não fica. A tristeza bate, mas não fica. A solidão bate, mas não fica. O "e se" bate, mas não fica. Nada fica, tudo passa, tudo se vai, e novos recomeços se iniciam, com a mesma graça, ansiedade e novidade de todos os recomeços. E a gente cresce, e cresce, e cresce. E fica livre, e se encontra, e se reencontra, e descobre a sua liberdade, a libertação, e enfim, alça vôo!

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