E eu estava ali, deitada do seu lado, te vendo dormir. Vendo seus cachinhos caídos sobre o seu rosto, a sua perna em cima da minha, enroladas em uma coberta que tiramos toda do lugar antes de cairmos no sono. Parada te olhando, completamente sem sono enquanto você estava apagado, levei um susto quando você se mexe e procura minha mão, e quando a encontra, entrelaça seus dedos nos meus, me puxa para perto, sem nem abrir os olhos, e cai no sono profundo novamente.
Eu fiquei ali, olhando e pensando o quanto aquela cena tinha um significado enorme. Seus dedos entrelaçados nos meus, com tanta troca e intensidade, e tantas palavras que ecoavam sem nem precisarem ser ditas. Parei, e você nem sabe da existência da foto que eu tirei logo depois. Eu queria gravar a minha sensação quando você ali, me permitiu me abrir á você. Me abrir as oportunidades que você me traria, me abrir para sentimentos que eu nem sabia se ainda era possível que eu sentisse, me abrir para dormir do lado de outra pessoa, sem querer ir embora correndo, me abrir para criar uma história nova na minha vida, me abrir para te conhecer, me abrir para que você pudesse me conhecer, me abrir nas minhas risadas mais bobas, me abrir no meu jeito as vezes tolo de falar, me abrir para alguém. Eu fiquei ali, inerte, no medo de tudo que eu senti com apenas essa entrelaçada de dedos, no medo de me envolver, no medo da vontade que eu fiquei de te acordar e te puxar pra mais perto de mim ainda, no medo de sentir, no medo de amar. Inerte no sentimento de te querer, te querer comigo, te querer nas minhas histórias, querer que você soubesse de parte de mim que eu não mostrava a tanto tempo para outra pessoa, eu te queria, e saber que você também me queria me trouxe uma leveza que eu não conseguia sair dali mais. Da nossa cama, das nossas mãos, dos nossos toques, da nossa história, de nós dois. Ali, eu queria só te pedir para continuarmos nos entrelaçando, todos os dias, entrelaçar sentimento, vida e amor. Entrelaça comigo?
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