segunda-feira, 6 de julho de 2020

Tenha amores

    Já tive muitos amores nessa vida, e nem sempre sou compreendida por isso. Escuto que sou muito intensa, que sinto demais, que me emociono demais, que sofro demais. Mas eu sempre gostei de sentir. Sentir o frio na barriga de conhecer um novo alguém, aquela dúvida gostosa de como será que essa pessoa vai influenciar a minha vida. Para mim, pequenos encontros são tão significativos quanto os grandes e duradouros. Pessoas que passaram pela minha vida por pouco tempo, me trouxeram sentimentos e histórias que fazem parte do meu ser hoje. Sentir que eu posso ser um pouco mais na vida do outro, sempre me fez acreditar em ser eu mesma em todos esses amores, mesmo eles "não dando certo". Já amei por um dia, já amei por uma noite, já amei por um mês, dois, um ano, seis anos, e todos esses amores se transformaram na intensidade que flui dentro de mim todos os dias. Lembranças gostosas, paixões avassaladoras, lembranças rápidas, mas nem por isso menos importantes. Lembro do cara que gostava de entrelaçar os dedos, que me olhou tão fundo nos meus olhos que parecia que me enxergava por completo. Que quando encontrávamos nada mais existia ao redor, ele largava tudo para curtir o momento apenas comigo. Ele me levou pães de queijo na cama na primeira vez que dormimos juntos. E enquanto eles assavam, ligou uma música de Jazz antigo que eu nunca imaginaria que embalaria tão bem a nossa história. Ficamos horas conversando ao som de músicas que eu nunca pensaria que ecoariam aquela cena. Ele me acordou com músicas ao som da natureza, abrindo uma frestinha de luz na janela para, segundo ele, me enxergar. Esse cara me ensinou que eu merecia ser cuidada em cada pontinho de um encontro, e que ele estava ali inteiramente comigo, mesmo que por uma noite que fosse. Eu também tive um amor, que me buscava todas as tardes de quarta para irmos assistir futebol no estádio, que me abraçava forte para entrarmos na arquibancada sem que ninguém mexesse comigo. Que me comprava chopp's gelados feliz da vida que eu bebia uma boa cerveja assistindo um bom futebol com ele. Que me levava com o maior orgulho para os encontros com seus amigos, e ficava feliz em não ter que se preocupar comigo, pois eu fiz amizade com toda a sua turma de uma forma muito leve. Que me ligava quando não saíamos juntos por estar com saudades, e fazia de tudo para dar um jeito de me ver logo depois. Ele me ensinou o quanto parceria e companheirismo é essencial em uma relação, e que ela pode ser leve, sem nenhum esforço desgastante. Tive também, o cara que me ensinou a simplicidade de uma relação. O dividir a vida, dividir os problemas, a rotina, a correria, conversar o dia inteiro, saber do outro, se abrir por inteiro, sem medo. Assistir filme no fim de semana, bebendo cerveja e comendo sashimi, ouvindo música boa, sentados na cadeira de ferro da sala, rindo, falando bobagem, apagando juntos na cama depois de uma semana exaustiva. Com ele aprendi o carinho de se dividir um espaço, de estar muito tempo no mesmo quadradinho, e mesmo assim, as horas virarem minutos. Foram tantos pequenos amores, que eu nunca concordei com falar que "nós não demos certo". Demos certo sim, pelo tempo que foi, mas demos. Entrelaçamos dedos e histórias, ensinamos e aprendemos, nos conectamos para nos desconectar de outras histórias, nos perdemos e nos encontramos, amamos e pegamos ranço na mesma intensidade, porquê ser intenso é isso, deixar que um ser estranho te descubra, te enxergue, e te leve a se conhecer cada vez mais, sem medo de que a intensidade te leve para um lugar obscuro, pois de escuridão a paixão não tem nada, muito pelo contrário, ela nos acende, nos aquece, nos ilumina, nos preenche. Ame, sem medo, apenas ame. Se permita, se acenda.
                                         

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