quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Encanto

  


      Encantamento. Sensação de deslumbramento, admiração, grande prazer que se tem como reação a alguma boa qualidade do que se vê, ouve, percebe. E de um encanto que eu não acreditava mais existir, me veio você. Assim, despretensioso, calado, na sua. Sem ser demais, e nada de menos. Com todo esforço para me mostrar quem você era, com todo esforço para me mostrar que você sabia um pouco quem eu era. Veio com respeito, educação, carinho, conversa, sem esses exageros que a nossa geração parece só conhecer uma única forma de se conhecer. Não foi pela atração física, não foi pela química, pelo toque. Foi por conhecer. E te conhecendo, me encantei. E no encanto, me vi nervosa como nunca mais tinha me conhecido assim. Boca seca, nó na garganta, barriga estranhando. Pensando no que falar, em como agir. Eu, sempre tão solta, tão segura de mim, me peguei perdida em como tinha parado ali, em como olhar para você me deixar com as mãos geladas. Você me desmontou em dois dias. Absurdo para um pessoas tão independente como eu. Foram apenas dois dias com você, no meio de pessoas da sua vida, e não da minha. Dois dias em que nossos lábios nem se conheceram. Foram apenas toques sutis, olhares demonstrando interesses, abraços com vontades, vontades que nem conseguimos falar e expressar, mas sabíamos que existiam. Dois dias de trocas, e você se foi. Sem saber quando nos veremos de novo, em meio a flertes, a ansiedades, teremos que esperar. Esperar para viver e sentir algo que nós dois sabemos que queremos, mas como até o encanto foi inesperado, porquê a história não seria? Continuo aqui, nessa espera gostosa, mas também aflitiva, de querer me encantar um pouco mais com você. Me encanta, mas fica, garoto. 

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